DIA DAS MULHERES PELO MUNDO A FORA
Afeganistão
Hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher. No entanto, a maioria das mulheres afegãs não sabe disso. Elas não têm contato com esse tipo de informação e nem mesmo pessoas que possam informá-las sobre essa data.
Cerca de 95% das mulheres afegãs são donas de casa e passam o dia inteiro dentro de seu lares. Às vezes, até semanas ou meses. Essas mulheres eventualmente trabalham em lugares perto da onde moram, mas sempre têm de tomar conta de seus filhos. Todos os dias, elas arrumam a casa e fazem todo o trabalho doméstico antes que os maridos cheguem. A maioria das mulheres afegãs acredita que a mulher serve apenas para fazer trabalhos domésticos e cuidar de crianças.
Muitas são ignorantes e não sabem que homens e mulheres têm os mesmos direitos. Já passou da hora do Afeganistão mudar essa cultura. Sou uma mulher afegã e tenho de enfrentar muitos problemas e tomar muito cuidado com cada passo que eu dou. Não é fácil fazer o que queremos e temos de seguir uma série de regras nessa cultura em que vivemos. Por isso, estamos muito distantes da realidade das mulheres que vivem em outros países...
Depoimento de Ramish Poladeyan
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Japão
Não esqueci de falar do Dia Internacional da Mulher no Japão. É que, aqui, 8 de março é um dia como outro qualquer. Nada de reportagens especiais, lojas decoradas, flores ou festas. Nem protestos eu vi. E, olha que esse é o meu quarto 8 de março deste lado do planeta. Em compensação, na semana que vem, mais precisamente no dia 14, nós, mulheres, vamos ganhar chocolates! Eu explico: os japoneses comemoram um mês depois do Valentine's Day, o White Day.
Em fevereiro, eles ganham chocolates das mulheres. Em março, é hora de retribuir. É costume presentear amigos, colegas de trabalho e, é claro, o gatinho - nesse caso, o chocolate é mais caprichado (e caro!).
Comprei chocolate para 15 amigos. Infelizmente, dessa vez, nenhum amigo era "colorido". Espero, então, ganhar 15 chocolates na semana que vem. E, quem sabe, algum extra. De preferência, especial. Torçam por mim!Bom, é hora de despedir.
No Brasil, o dia está apenas começando, mas aqui já está no fim. Parabéns para as mulheres e felicidades para todos!
Depoimento de Karina Almeida
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Emirados Árabes
Nem só de flores vive Dubai. E hoje é o dia para poder contar a vocês um pouco do outro lado desta cidade linda.Quem mora aqui e se importa com o que estamos fazendo contra a violência doméstica a conhece. Sharla Musabih é a mulher por detrás do maior - e único - movimento organizado contra a violência nos Emirados, The City of Hope (Cidade da Esperança), que tem atualmente três casas para alojar mulheres e crianças vítimas de violência.
O único lugar para onde estas pessoas podem correr quando o problema estoura.
Muitas das mulheres morando em suas casas são ocidentais casadas com árabes, que encontram-se completamente isoladas por aqui. E algumas são árabes que, mesmo enfrentando todo o preconceito, acabam fugindo de casa e procurando um abrigo. E não somente os homens são capazes de violência contra a mulher.
Vários dos casos que chegam à polícia, ou ao abrigo da Cidade da Esperança, são de empregadas domésticas abusadas por suas patroas e patrões. Não existem leis que impeçam os maus tratos aos empregados, e posso dizer que por aqui as pessoas abusam mesmo. Sharla começou o movimento recebendo mulheres em sua própria casa e, mesmo se ela tem autorização do governo para os abrigos, eles podem ser fechados a qualquer momento.
Elas vivem tendo que mudar seus abrigos de lugar pois os vizinhos reclamam, os maridos ameaçam o governo, o proprietário quer a casa de volta (ela aluga estas casas) e assim por diante.
Não há leis que protejam este tipo de organização aqui nos Emirados e a polícia faz pouco ou nada para a redução da violência doméstica. Quando o caso chega à polícia, mínimos casos, constantemente o marido é chamado e deve assinar um papel dizendo que não repetirá. Assim, ele é logo liberado.
Depoimento de Carolina Porto